Fundada em 1927, a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários Famalicenses partiu de uma cisão na velha Associação dos Voluntários, criada em 1890. A primeira reunião oficial teve lugar a 17 de Novembro de 1927 após uma série de encontros informais. Serviu a mesma para apresentação dos Estatutos, aprovados nesse mesmo dia pelo governador civil de Braga, o famalicense capitão José Ribeiro Barbosa. Estava fundada a nova Associação de Bombeiros Voluntários. Sob a égide de Álvaro Carneiro Bezerra (comandante do corpo activo da associação existente na altura da cisão), foi instituída uma comissão administrativa composta por Clemente de Sousa Lopes (genro de Álvaro Bezerra), Amadeu Mesquita e Nelson Bouças. Álvaro Carneiro Bezerra (1880-1968) era um grande comerciante local, dono da Confeitaria Bezerra, sucessora da velha Confeitaria Guedes. Monárquico, foi vereador da Câmara Municipal durante o Sidonismo e a Monarquia do Norte (1919) e depois em duas vereações durante os primeiros anos do Estado Novo (1934-1941). Participou em algumas associações locais e fez parte da comissão organizadora da primeira fase das Festas Antoninas, realizadas entre 1906 e 1912.
Curiosamente seria um incêndio que destruiu a Confeitaria Guedes (de José da Silva Abreu Guedes, sogro de Álvaro Bezerra), em 1890, que levaria à criação, em Famalicão, dos bombeiros voluntários. O segundo elemento da comissão administrativa, Clemente de Sousa Lopes (1901-1963) era filho de Francisco da Silva Araújo Lopes, o dono da Sapataria Lopes, sucessora da velha Sapataria Pinto a qual viria a dar origem, depois de vendida à Sapataria Paiva. Mas foi com a aquisição da Mercearia Damos, na Rua de Santo António, em 1922, que surgiria a génese da grande organização comercial que foi a firma C. Lopes & Cª. Após ter passado pela direção, quer da Associação dos Empregados do Comércio quer da Associação Comercial e Industrial, Amadeu Correia de Mesquita Guimarães (1898-1977) foi o gerente local do Banco Ferreira Alves (que entretanto seria adquirido pelo também já extinto Banco Nacional Ultramarino). Representou igualmente em Famalicão a Companhia de Seguros Garantia, estando por isso ligado à construção do Hotel Garantia no mesmo lugar do velho Hotel Vilanovense. Seria mais tarde provedor da Santa Casa da Misericórdia (1961-1970), bem como o principal impulsionador da construção do actual Hospital de Famalicão. Nelson Bouças (1902-1936), era filho de Manuel António Bouças Júnior, o fundador da Padaria Bouças, em 1885 e neto de Manuel António Bouças que com outro galego, Manuel Giesteira, foram provavelmente os principais mestres-de-obras em Famalicão, na segunda metade do século XIX. Falecido muito novo, Nelson Bouças era, profissionalmente, o tesoureiro das Obras Públicas em Castelo Branco, na altura da sua morte. Estes quatro homens, juntamente com o grupo de bombeiros vindos da antiga associação, estiveram na origem da formação dos Famalicenses. Na falta de dados concretos, teremos de nos reportar a algumas notícias de jornais da época (Estrela do Minho, 4-11-1928). Estas notícias permitem supor que a maioria do corpo ativo existente em 1926 se transferiu para a nova associação. No ano de 1927, foi aprovado o regulamento do corpo ativo dos Famalicenses, o qual foi elaborado pelo comandante Alfredo Pereira, que teria como segundo comandante Joaquim da Silva Pimenta. Entretanto, era alugada a casa que serviria desde os princípios de 1928 de primeiro quartel da Associação, no então Campo Mouzinho de Albuquerque. Foi escolhido o edifício onde desde talvez a segunda metade da década de sessenta do século XIX e até há poucos anos (na altura) havia funcionado o Hotel Carolina. Por pouco tempo porém, se mantiveram os Famalicenses neste prédio. Em Maio de 1928 foi deliberado construir um quartel de raiz, tendo sido negociado com o comerciante de fazendas Arnaldo da Silva Maia (1858-1936) o terreno anexo ao seu prédio, na Rua Adriano Pinto Basto. Com projeto do engenheiro José da Costa Vilaça seria inaugurado a 29 de Junho de 1929. Nele se manteriam os Famalicenses até à inauguração do actual quartel, realizada em 19 de Junho de 1982. Em Agosto de 1928, a aquisição da ambulância Citroen a “Pombinha Branca” constituiu, à época, uma importante inovação no trabalho desenvolvido pelos bombeiros em Famalicão: a criação dos serviços de saúde. Em notícia de jornal da época, dizia-se que na semana anterior a ambulância tinha tido três saídas “o que prova o quanto se fazia sentir tão útil aquisição”. Outros tempos… Equipado no início com uma bomba Northern, o Studebaker e o Délage, tem hoje… Fundada com um corpo activo constituído por trinta e cinco elementos tem hoje… Com mais ou menos crises, como é próprio de qualquer associação, a história dos Famalicenses tem sido vivida, num espírito de renovação contínua, desde 1927 até hoje.
85 anos de História
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